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Ufam tem sete trabalhos aprovados para evento da USP

Escrito por ascom.ufam | Publicado: Quarta, 04 de Novembro de 2026, 11h03 | Última atualização em Quarta, 04 de Novembro de 2026, 11h09 | Acessos: 93

Estudantes da Faculdade de Estudos Sociais (FES) têm sete trabalhos aprovados para apresentação oral no XXVIII Encontro Internacional sobre Gestão Empresarial e Meio Ambiente (Engema) da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP). O evento ocorre de 30 de novembro a 04 de dezembro, na sede da USP, em São Paulo.

De acordo com a professora Michele Aracaty, o resultado representa a qualidade do ensino da Ufam tanto na graduação quanto na pós-graduação. “A participação da Ufam no Engema é fundamental para colocar a Amazônia no centro dos debates globais sobre sustentabilidade, bioeconomia e desenvolvimento regional. Neste ano, a parceria se fortalece ainda mais: além dos estudantes de graduação, contaremos com a participação de docentes e discentes do recém-criado Mestrado em Economia Aplicada”, conta. 

Raquel Cézar Machado é a autora do artigo sobre o cacau amazônico e a regulamentação europeia, que também será apresentado no evento da USP. “Eu me senti valorizada em ver um artigo produzido no mestrado Ufam/ Tribunal de Contas do Estado Amazonas sendo reconhecido em um encontro Internacional na USP”, comentou. 

A pesquisa de Raquel analisa as potenciais consequências do Regulamento (UE) 2023/1115 (EUDR) sobre as exportações de cacau de Medicilândia, Uruará, Altamira e Placas (PA), grandes produtores nacionais, e de Borba e Nova Olinda do Norte (AM). Aplicável a partir de dezembro de 2026, o regulamento exige a ausência de desflorestação após 2020, cumprimento da legislação ambiental, trabalhista, fundiária e indígena e diligência devida com geolocalização das parcelas. Diante da predominância da produção familiar, o trabalho busca identificar desafios de adequação e subsidiar políticas que evitem a exclusão desses produtores do mercado europeu. “O Engema é um encontro internacional de gestão empresarial e meio ambiente, e existe a temática Amazônia. E escrever um artigo que aborda a cadeia produtiva do Cacau na Amazônia e as potenciais consequências do regulamento europeu (medidas não tarifárias) que regulam o consumo pela União Europeia  é um tema que conversa diretamente com o propósito do Evento”, revelou.

Bianca Queiroz de Oliveira, cursa o 4° período de Ciências Econômicas, e com o seu primeiro artigo submetido já obteve a aprovação para um evento do porte do Engema. “Significa um avanço para mim e para o desenvolvimento regional endógeno do Amazonas — um progresso que podemos alcançar por meio de pesquisas científicas, como no meu caso. Trazer como tema do artigo a forma como a Tokenização de Ativos pode ajudar no financiamento desse desenvolvimento e ver essa ideia reconhecida com a aprovação me dá ainda mais vontade de estudar e pesquisar sobre o assunto, visando ao seu avanço em benefício da sociedade”, disse. “A formação que estou recebendo pela Universidade, pelos professores e por tudo que me é oferecido evidencia que podemos gerar muito mais temas, ideias e inovações. Tudo parte da nossa vontade de estudar sobre algo e se conectar com a prática por meio das oportunidades que nos são dadas durante a graduação”, completou. 

Confira todos os trabalhos que irão participar do Engema 2026:

1) CAFÉ DE AÇAÍ: UMA ABORDAGEM SUSTENTÁVEL PARA O APROVEITAMENTO DO CAROÇO DO AÇAÍ NA AMAZÔNIA.

Autores: Michele Lins Aracaty e Silva e Carlos Alberto Guedes da Silva Júnior.

O açaí (Euterpe sp.) consolidou-se como um dos principais produtos da sociobiodiversidade amazônica, desempenhando papel relevante na economia regional e demais mercados. Contudo, o crescimento acelerado do consumo intensificou a geração de resíduos sólidos, especialmente os caroços, que representam aproximadamente 80% do volume do fruto processado. Em grande parte das cidades amazônicas, o descarte inadequado desses resíduos provoca impactos ambientais, sanitários e logísticos, elevando custos públicos de limpeza urbana e contribuindo para problemas de poluição e manejo de resíduos.

 

2) TOKENIZAÇÃO DE ATIVOS COMO INSTRUMENTO DE FINANCIAMENTO PARA O DESENVOLVIMENTO REGIONAL ENDÓGENO DO AMAZONAS.

Autoras: Michele Lins Aracaty e Silva e Bianca Queiroz de Oliveira.

O avanço de tecnologias emergentes, como a blockchain e os ativos digitais, tem reconfigurado a forma como recursos financeiros são estruturados, negociados e distribuídos em escala global. Nesse contexto, a tokenização de ativos desponta como um instrumento capaz de ampliar a liquidez, a transparência e a acessibilidade a mercados historicamente restritos, com potencial de aplicação em contextos regionais marcados por desigualdades estruturais de financiamento — como é o caso do Amazonas.

 

3) MANAUS CAPITAL DA FLORESTA E QUASE SEM ÁRVORES.

Autora: Michele Lins Aracaty e Silva.

É difícil imaginar Manaus, localizada no coração da maior floresta tropical do planeta, em desarmonia com a floresta, mas é isso mesmo. A capital do Amazonas é uma cidade urbanizada com características industriais pensada sob a lógica colonial, seguindo o modelo europeu com ruas estreitas, poucas calçadas e construções geminadas: um contraste com o natural e a biodiversidade regional. A realidade da capital da floresta é de colapso, pois somente 44,8% da área urbana de Manaus possui cobertura arbórea (Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

4) CACAU AMAZÔNICO E REGULAÇÃO EUROPEIA: AS POTENCIAIS CONSEQUÊNCIAS DO EUDR NAS EXPORTAÇÕES DOS MUNICÍPIOS PRODUTORES DO PARÁ E DO AMAZONAS. 

Autora: Raquel Cézar Machado.

A pesquisa evidencia que o cacau pode contribuir para a restauração produtiva de áreas alteradas na Amazônia, mas o EUDR impõe exigências de due diligence, geolocalização e marco temporal que divergem das normas brasileiras e elevam custos para microlotes familiares. A ausência de rastreabilidade nas bases públicas amplia o problema hoje.



5) DESIGUALDADES REGIONAIS NO ABASTECIMENTO DE ÁGUA POTÁVEL: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DO AMAZONAS FRENTE AOS DEMAIS ESTADOS BRASILEIROS A PARTIR DOS INDICADORES DO SINISA 2024. 

Autor: Igor Oliveira Bastos.

O artigo analisa as desigualdades no abastecimento de água potável no Brasil, comparando o Amazonas aos demais estados com base nos dados mais recentes do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa). O estudo mostra que o estado tem cobertura próxima da média nacional e bom desempenho financeiro, mas recebe investimentos em infraestrutura muito inferiores aos de outras unidades da federação.



6) CAPACIDADE FISCAL E DESEMPENHO EDUCACIONAL NOS MUNICÍPIOS DO AMAZONAS: EVIDÊNCIAS PARA O PERÍODO 2013–2023.

Autora: Vivianny Karol Fernandes dos Santos.

 

O estudo analisa a relação entre a capacidade fiscal municipal e o desempenho educacional nos municípios do Amazonas entre 2013 e 2023, excluindo a capital Manaus. A pesquisa aponta que os governos locais enfrentam uma forte dependência de transferências financeiras externas e uma baixíssima autonomia para gerar receitas próprias. Os dados revelam assimetrias econômicas marcantes não apenas em relação a Manaus, mas também entre os diferentes municípios do interior do estado. Surpreendentemente, a análise estatística demonstra que o volume de recursos per capita não possui correlação significativa com a qualidade da educação medida pelo Ideb. Em contrapartida, o grau de autonomia fiscal apresenta uma associação positiva com o desempenho escolar, sugerindo que a capacidade institucional e administrativa dos gestores locais é um fator determinante para o sucesso das políticas públicas educacionais.

7) MUDANÇAS CLIMÁTICAS E DESEMPENHO FISCAL MUNICIPAL: UMA ANÁLISE MULTIVARIADA DOS MUNICÍPIOS DO AMAZONAS. 

Autores: Yunier Sarmiento Ramírez, Andreia Brasil Santos, Felipe Soares Esteves, Sergio Augusto Meleiro da Silva e Yadira Perez Cutino.

 

A pesquisa busca identificar perfis climático-fiscais dos municípios do Amazonas, combinando as condições hídricas, mensuradas pela anomalia padronizada do Palmer Drought Severity Index (PDSI), com o grau de dependência de transferências correntes. Por meio de análise de clusters e de análise multivariada de variância (Manova), o estudo avalia se os grupos formados diferem quanto à receita corrente per capita, ao investimento público per capita e à margem fiscal. O trabalho pretende oferecer subsídios para políticas territoriais de desenvolvimento, adaptação e fortalecimento da capacidade fiscal compatíveis com a sustentabilidade ambiental.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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