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Professora do IEAA/Ufam avalia os resultados das escolas em tempo integral no Ideb 2025

Escrito por ascom.ufam | Publicado: Sexta, 25 de Setembro de 2026, 18h23 | Última atualização em Sexta, 25 de Setembro de 2026, 18h39 | Acessos: 88

Dedicada ao estudo do tema, a docente Angela Maria Gonçalves de Oliveira também aborda a diferença entre a educação em tempo integral e a educação integral e destaca os desafios no Amazonas

 Evento sobre educação integral do projeto "Curso de Formação para Gestores Escolares: caminhos para a educação integral em tempo integral na escola”

As escolas em tempo integral de todas as regiões do Brasil alcançaram melhores resultados na avaliação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025. Nacionalmente, os anos iniciais do ensino fundamental de escolas com tempo integral tiveram Ideb médio de 6,2. Já nas instituições com jornada inferior à 7 horas a média foi de 6,0. O mesmo ocorre nos outros níveis do ensino básico: nos anos finais do ensino fundamental, o índice foi de 5,2 nas escolas de tempo integral e de 4,9 nas demais; no ensino médio, o Ideb médio alcançou 4,7 nas escolas com jornada de sete horas diárias ou mais, enquanto as escolas com jornada inferior registraram 4,3.

No âmbito local, o Amazonas acompanha os resultados no comparativo entre instituições de tempo integral e as escolas de jornada parcial. Levantamento do Instituto Sonho Grande e Instituto Natura aponta que das 232 escolas de ensino médio do estado avaliadas no Ideb alcançaram média de 4,4 do índice, enquanto as demais escolas, com jornada parcial, ficaram com média de 3,7.  

Esses dados podem levar a uma correlação entre mais tempo dos alunos na escola com um melhor resultado no Ideb. Porém, a docente Angela Maria Gonçalves de Oliveira alerta que o desempenho no Ideb não pode ser atribuído apenas à ampliação da jornada escolar. Ela é professora do curso de Pedagogia do Instituto de Educação, Agricultura e Ambiente (IEAA), da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), e desenvolve pesquisas de iniciação científica e pós-graduação dedicadas à temática da educação integral.

“É claro que a jornada ampliada, possibilita mais tempo de aprendizagem, pois cria maior possibilidade de desenvolver atividades de reforço, leitura, acompanhamento individual, projetos e aprofundamento dos conteúdos. Mas sem um currículo integrado, isso não seria possível. Sem o trabalho intensivo, e até exaustivo, dos professores. Com certeza as escolas tiveram um acompanhamento pedagógico mais sistemático e isso cria novas oportunidades de aprendizagens. Então, não é apenas a ampliação da jornada escolar que possibilitou o aumento no Ideb, mas um conjunto de fatores somados ao maior tempo na escola”, afirma a docente. Ela explica que o Ideb considera a aprendizagem em Língua Portuguesa e em Matemática avaliada pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e as taxas de aprovação.

Educação em tempo integral e educação integral
A docente explica a diferença entre os conceitos de educação em tempo integral e educação integral. Enquanto no primeiro, o estudante permanece na escola por, no mínimo, 7 horas diárias ou 35 horas semanais e participa de atividades pedagógicas, dentro ou fora da escola, previstas no Projeto Político Pedagógico; no segundo, a proposta é a formação plena do sujeito.

 “A escola não deve se preocupar somente com ‘ensinar matérias’, mas criar condições para que o estudante desenvolva diversos conhecimentos e capacidades cognitivas como criar condições para que o estudante desenvolva sua autonomia, criatividade e pensamento crítico; cuide de sua saúde física e emocional; desenvolva valores que lhes permitirão melhor convivência e participação social; conheça, entenda e participe de diferentes manifestações culturais e artísticas. A escola deve possibilitar formação para que o estudante reconheça e valorize sua identidade e seu território e seja preparado para exercer plenamente sua cidadania”, explica Angela Maria, ressaltando que a Constituição Federal determina o pleno desenvolvimento da pessoa como objetivo da educação. 

Por isso, estar mais tempo na escola não necessariamente vai significar uma educação que promova o pleno desenvolvimento das crianças e dos adolescentes. “O elemento principal é a qualidade das experiências educativas que são realizadas nesse tempo ampliado. Não adianta deixar a criança mais tempo na escola se a escola não tem um currículo integrado. Não é fazer o mesmo em mais tempo, mas possibilitar, com qualidade, novas práticas pedagógicas”, completa a professora. 

 Professora Angela Maria em palestra para estudantes do ensino médio

Desafios no estado
Segundo Angela Maria, o Amazonas ainda enfrenta muitos desafios na área. Além de traduzir a jornada ampliada em educação integral, o estado precisa garantir a infraestrutura adequada para que a permanência do estudante na escola seja de qualidade. “Uma escola de tempo integral precisa de condições físicas compatíveis com a jornada ampliada: salas adequadas, bibliotecas, laboratórios, espaços esportivos, alimentação, áreas de convivência, descanso e atividades culturais”, explica. 

A professora também alerta para a necessidade de se respeitar os contextos das diferentes cidades do estado na implantação do ensino integral: “Não podemos pensar a educação em tempo integral no Amazonas utilizando um modelo homogêneo para Manaus, municípios do interior, comunidades ribeirinhas, indígenas, rurais e outras realidades territoriais. Cada território tem suas especificidades que precisam ser pensadas na hora do planejamento. Não dá para Manaus pensar como será a escola num município distante”, ressalta.

Outro desafio destacado pela pesquisadora é o de ter um corpo docente preparado e com carga horária adequada para a jornada escolar ampliada: “Escola em tempo integral, exige professor em tempo integral”, afirma. Mas ela lembra que isso deve ser feito respeitando a jornada de trabalho dos professores e sem promover a precarização do trabalho docente. 

“Talvez o maior e mais grave desafio é a efetivação de um currículo integrado e não apenas ‘mais disciplinas’. A escola não pode ter um currículo inchado, com mais aulas e atividades desconectadas. Tudo isso pode, e deve, ser pensado nesse momento de elaboração do novo Plano Estadual de Educação [PEE] para o decênio 2027-2037, uma vez que no PEE 2015-2025 as metas não foram alcançadas na sua totalidade”, finaliza a docente. 

 Perfil
Angela Maria Gonçalves de Oliveira é doutora em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pesquisadora de Políticas Públicas, mais especificamente na área de Educação em Tempo Integral na perspectiva da Educação Integral. É docente do IEAA/Ufam, localizado em Humaitá, e lidera o Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Integral no Amazonas (Gepeiam). 

Dedica sua atuação acadêmica na pesquisa à educação integral e à educação em tempo integral, orientando trabalhos de doutorado, mestrado e iniciação científica. Atualmente desenvolve o projeto de pesquisa “Políticas de Educação em Tempo Integral no Estado do Amazonas, na perspectiva da Educação Integral”. Desde 2024 coordena, no Amazonas, o projeto do Ministério da Educação “Curso de Formação para Gestores Escolares: caminhos para a educação integral em tempo integral na escola”.

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