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“Vem pro Quilombo” - Ufam e Associação Crioulas do Quilombo lançam projeto que aproxima conhecimento acadêmico e saberes do território

Escrito por ascom.ufam | Publicado: Segunda, 31 de Agosto de 2026, 17h45 | Última atualização em Segunda, 31 de Agosto de 2026, 17h47 | Acessos: 101

Na tarde do último sábado, 29 de agosto, a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), por meio do Programa de Pós-Graduação em História (PPGH/Ufam), em parceria com a Associação Crioulas do Quilombo do Santo Benedito, realizou o lançamento do projeto “Vem pro Quilombo: Vozes das Encruzilhadas das Amazônias”. O evento aconteceu no Quilombo, localizado na Rua Japurá, 1527, Praça 14 de Janeiro, e abriu uma série de palestras que serão realizadas entre setembro de 2026 e janeiro de 2027 e terão como público-alvo estudantes de cursos de graduação de instituições de ensino superior de Manaus.

De acordo com a coordenadora do projeto, professora Patrícia Melo, a ideia é o conhecimento produzido dentro da Universidade ganhar um novo espaço de circulação em Manaus, de forma horizontalizada, e com parceria da Associação Crioulas do Quilombo do Santo Benedito. “O “Vem para o Quilombo” proporcionará encontros que terão duração de quatro horas com palestras temáticas ministradas, prioritariamente nesta primeira etapa, por doutorandos e doutorandas do PPGH/Ufam. Os participantes receberão certificados emitidos pela Associação Crioulas do Quilombo, com a indicação da carga horária, que poderá ser utilizada como Atividade Complementar nas respectivas instituições de ensino. Além disso, essa é uma oportunidade de aproximar estudantes das pesquisas desenvolvidas na Ufam e, ao mesmo tempo, contribuir para a autossustentação financeira da Associação”, explicou a docente.

A taxa de inscrição será inicialmente de R$10 reais por atividade, com os recursos destinados integralmente à associação, e a ação nasce de uma relação construída ao longo dos anos com a comunidade quilombola e representa uma oportunidade de aproximar a Universidade do território. “A proposta busca estabelecer uma relação de troca entre Ufam e  a comunidade, aproximando estudantes da graduação com as pesquisas desenvolvidas na pós-graduação em uma perspectiva de Extensão. Nosso compromisso é aproximar o trabalho produzido na Universidade por meio de parcerias horizontalizadas com a Associação”, explicou a professora.

Para Keila Fonseca, da quinta geração da comunidade São Benedito, presidente das Crioulas desde 2012 e do movimento negro há 26 anos, a atividade insere a Ufam em uma comunidade negra certificada que tem um corredor cultural de atividades durante o ano todo, com datas festivas alusivas à negritude que começa no festejo de São Benedito, passa pelo dia das mulheres, dia das mães, a questão do folclore, dia dos pais, Cosme e Damião, dia das crianças, consciência negra e encerra no dia do samba, alpem de promover também debates com artesanato e a cultura religiosa e gastronômica na comunidade.

“Para nós, é uma satisfação receber pessoas novas na comunidade, que chegam com interesse em conhecer, estudar e aprender mais sobre a nossa história. Durante muito tempo, a presença negra no Amazonas foi pouco reconhecida, como se aqui existissem apenas comunidades indígenas. O reconhecimento do quilombo urbano foi resultado de uma luta que já dura 136 anos. Nesse processo, enfrentamos o preconceito, a intolerância religiosa e outras formas de violência e seguimos resistindo. Para obter a certificação, reunimos documentos, revistas e jornais antigos que comprovam a existência da comunidade negra, além de registros dos festejos e da presença de um santo esculpido em madeira de Angola, que está na comunidade há mais de 100 anos. Todo esse material foi catalogado e encaminhado à Fundação Cultural Palmares, que também realizou visitas técnicas para verificar a existência e a história da comunidade”, destacou Keila Fonseca. 

A parceria também prevê a participação de pesquisadores da Ufam na documentação de práticas culturais e sociais da comunidade, contribuindo para a preservação de sua história e de conhecimentos tradicionais. O apoio técnico e intelectual da Ufam deverá ainda colaborar para que as ações desenvolvidas no território tenham continuidade e possam ser ampliadas de acordo com as necessidades futuras da Associação. 

Estiveram presentes na abertura do evento a pró-reitora de Pesquisa e Pós Graduação, professora Adriana Malheiro Alle Marie e a pró-reitora adjunta, Yoli Glenda Serrão. A programação das atividades seguintes será divulgada pelas redes sociais da Associação Crioulas do Quilombo.

Quilombo Urbano de São Benedito 

Além da atividade em parceria com a Ufam, em setembro,  o Quilombo Urbano de São Benedito celebra a cultura, os saberes e os fazeres quilombolas. No chão histórico do Quilombo, primeiro quilombo urbano reconhecido do Amazonas, haverá uma imersão em memória, ancestralidade, arte e troca de saberes.

A programação reúne atividades on-line e presenciais, com oficinas sobre acessibilidade cultural, narrativas quilombolas, música e culinária tradicional, além de apresentações de samba e coco de roda. Todas as atividades serão gratuitas, acessíveis e abertas a todos os públicos. A iniciativa conta com o apoio do Edital FCP nº 01/2025, Sementes da Ancestralidade: Fomento à Cultura Afro-Brasileira, da Fundação Cultural Palmares. 

Confira a programação completa: 

 

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