Ufam e Ministério da Pesca e Aquicultura reúnem lideranças em Manaus para definir o futuro da pesca da Piracatinga no Amazonas
Evento marca o encerramento de projeto estratégico e busca construir alternativas sustentáveis para a atividade após 12 anos de moratória.
Nos dias 24 e 25 de março de 2026, foi realizada a Oficina "Encontro de Saberes sobre a Pesca da Piracatinga no Amazonas: novos rumos a partir da construção coletiva". O Evento marca o fechamento do Termo de Execução Descentralizada (TED) intitulado “Bases para a pesca ordenada e sustentável da piracatinga (Calophysus macropterus)”, uma parceria técnico-científica entre a Ufam e o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), sob a coordenação da professora Maria Angélica Corrêa, do Laboratório de Economia e Administração Pesqueira (LEAP).
Com a presença de 78 representantes, entre pescadores artesanais, armadores de pesca, indústrias e gestores públicos, o evento contou com a participação de lideranças de 16 municípios amazonenses — incluindo polos como Tefé, Itacoatiara, Tabatinga e Coari — além de representantes de Brasília e Boa Vista. Para a professora Maria Angélica, o encontro é o ápice de um trabalho que uniu a academia à vivência prática do ribeirinho.
"Esse é o momento de juntar o conhecimento técnico-científico com a experiência vivida nessa área tão importante. Queremos fechar com chave de ouro essa história que nos foi encomendada, discutindo medidas para uma posterior mudança na moratória que já vigora há 12 anos", destacou a coordenadora durante a abertura, que contou com a participação de representantes da Ufam, do MPA, da Secretaria de Estado de Pesca e Aquicultura do Amazonas (Sepa), além de lideranças da pesca e da aquicultura do estado.
Para o professor Carlos Victor Lamarão Pereira, diretor da Faculdade de Ciências Agrárias, o projeto da Piracatinga cumpre os dois pilares fundamentais da unidade: a formação acadêmica e o atendimento direto às demandas da sociedade. "A universidade e a FCA têm dois grandes compromissos: formar pessoas e atender a sociedade como um todo. Esse projeto, liderado pela professora Angélica, materializa essa missão ao trazer resultados que impactam quem está na ponta — o pescador, as associações e as cooperativas", destacou o diretor.
O vice-reitor da Ufam, professor Geone Maia Corrêa, destacou a importância da universidade como ponte para o desenvolvimento regional. "Quando vemos que é uma construção coletiva, percebemos a dimensão da importância de um projeto como este. A Ufam impacta diretamente a tomada de decisões futuras para o nosso estado com esse tipo de projeto”, afirmou.
De acordo com a professora Angélica, os resultados esperados da oficina vão além de relatórios técnicos. A partir do evento será possível sistematizar propostas que subsidiem políticas públicas reais, trazendo segurança jurídica e participação ativa nas decisões que afetam o sustento e a subsistência de pescadores; maior presivibilidade e organização da cadeia produtiva para o mercado; e, para a região, ordenamento de uma atividade comercial relevante para a Bacia do Solimões, com potencial para o comércio exterior.

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