Melhores Dissertações e Teses são premiadas em cerimônia especial

A Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufam (Propesp) realizou a cerimônia de Premiação das Melhores Teses e Dissertações da Universidade do ano de 2025. O evento, que reconhece o trabalho de pós-graduandos e orientadores de todos os Programas de Pós-Graduação da Universidade, ocorreu na manhã de sexta-feira, 9, no Auditório Eulálio Chaves, no setor Sul do campus universitário de Manaus.
A solenidade foi presidida pela reitora da Ufam, professora Tanara Lauschner, acompanhada pelo vice-reitor, professor Geone Maia, e pelas pró-reitora da Propesp, professora Adriana Malheiro, a representante da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), professora Simone Baçal, e pela diretora do Departamento de Acompanhamento e Avaliação da Pós-Graduação (DAV/Propesp), professora Gisele Cristina Resende.
Em seu pronunciamento, a gestora da Ufam, professora Tanara Lauschner, destacou a necessidade de se comemorar os avanços e as realizações no âmbito científico, mas também de reconhecer que é preciso ter condições necessárias para que a ciência exista dentro das instituições de pesquisa. “Não há ciência com censura, não há ciência com perseguição, não há ciência com intimidação. Então, a ciência verdadeira precisa de liberdade de pesquisa, precisa ter autonomia universitária, precisa ter liberdade de pensamento, e é essa a nossa luta quando a gente fala da importância, da valorização das instituições de pesquisa, do CNPq, da Capes, ambas com 75 anos, porque a gente sabe que a gente não faz pesquisa do dia para a noite. A gente não tem resultados de uma hora para a outra. A gente só tem resultados na pesquisa com investimentos de longo prazo, sem investimentos de longo prazo não há como dar continuidade à pesquisas importantes”, expôs.
O vice-reitor, professor Geone Maia, frisou o custo amazônico em seu discurso de abertura. “O fator amazônico é tão importante para a gente. Nós sabemos que fazer pesquisa na Amazônia é muito mais caro que qualquer outra no país. Nós precisamos continuar mantendo esse diálogo porque nós precisamos em todos os momentos estar reafirmando a importância desse fator especialmente para a Universidade Federal do Amazonas”, disse.
A pró-reitora da Propesp, professora Adriana Malheiro, ressaltou o significado da solenidade. “Hoje é um dia muito, muito especial aqui na Universidade Federal do Amazonas. É um dia de reconhecimento e de celebração e sobretudo de valorização da ciência, das pessoas que constroem essa ciência diariamente. Eu quero parabenizar de maneira muito especial a todos os nossos recém mestres e doutores que foram premiados no ano de 2025 assim como os seus orientadores e orientadoras”, declarou. Além disso, a pró-reitora apresentou dados da área de pesquisa da Ufam. “Nós temos 60 programas de pós-graduação, então, cada tese e dissertação reconhecida representa muitos anos de dedicação e muitos desafios superados”, completou.
Representando a Fapeam, a professora Simone Baçal enfatizou a parceria entre as duas instituições para o progresso da ciência no Amazonas. “Este evento para nós celebra o que há de melhor na nossa pós-graduação e os resultados do nosso investimento estão aqui hoje. Só em 2025, por meio do programa Posgrad, que investe em bolsas de mestrado e doutorado, a Fapeam concedeu 1.047 cotas de bolsas, foram implementadas 930 entre bolsas de mestrado e doutorado, com investimento executado de R$35,6 milhões. A Ufam é com muito orgulho a nossa maior parceira, com 584 cotas concedidas”, revelou.
A professora Gisele Cristina Resende, diretora do DAV/Propesp, parabenizou os premiados e os incentivou a seguirem desenvolvendo ciência. “É com muita alegria que estamos hoje aqui reunidos nessa cerimônia. É com muita alegria porque isso significa que nós estamos aqui; defendendo a ciência, defendendo a democracia, defendendo a qualidade desses trabalhos e que bom que podemos celebrar porque hoje é uma grande celebração, uma celebração por todos os pesquisadores e pesquisadoras, pós-graduandos de mestrado e de doutorado, que estão aqui na nossa Universidade e que nós temos a honra de acompanhar por meio da Pró-Reitoria de Pesquisa em Pós-Graduação”, pontuou.

Palestra sobre Saúde Mental
Após a abertura do evento, o professor da Faculdade de Psicologia (Fapsi/Ufam), Marck Torres, teve a oportunidade de falar aos presentes sobre “Desafios dos cuidados em Saúde Mental na Pós-Graduação”. Segundo o coordenador do PPG em Psicologia da Ufam, a excelência científica e o sofrimento não devem ser sinônimos. “Eu espero e torço muito que isso mude porque isso não é um problema local, isso acontece em todo programa de pós-graduação, quiçá no Brasil inteiro. Não há uma política do cuidado mental que seja de fato exemplar. Você procura um modelo para ser aplicado em outro lugar, mas isso não existe porque não é de fato ainda alguma coisa com a qual a gente se preocupe e isso não é uma coisa só nossa, mas de todos nós que fazemos pós-graduação”, registrou.
Ainda de acordo com o palestrante, o contexto das relações humanas por vezes apresenta situações de sofrimento e a formação em nível de pós-graduação é uma delas, mas que nem por isso, precisa adoecer as pessoas nela envolvidas. “A pergunta que eu faria é se é possível a gente fazer uma pós-graduação sem sofrimento emocional? Quando eu falo de sofrimento emocional, eu falo de insônia,sintomas clássicos de ansiedade, estresse e por aí vai. É claro que a gente poderia de fato ter um pouco mais de qualidade sem tanto estresse, mas a gente sabe que dentro de uma situação em que a pós-graduação é feita por seres humanos, em complexidade, em lugares diferentes, em contextos distintos e outros fatores de diferenciação, a gente sempre vai tender a pensar que existe algum tipo de sofrimento. Agora, é claro, esse sofrimento não precisa fazer as pessoas adoecerem. Eu espero que cientistas, pesquisadores e pesquisadoras, tenham consciência de que o cuidado com a saúde mental precisa ser priorizado”, declarou.
Premiação
A seguir, foi realizada a premiação das melhores dissertações e teses da Ufam do ano de 2025, com pesquisas reconhecidas em todos os campi da Instituição.
Guilherme Soares é o autor do melhor trabalho de dissertação do curso de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática, do Centro de Educação a Distância (CED). “Para mim, é uma alegria ver o resultado do processo que durou muito mais de dois anos, já que teve início antes mesmo do ingresso no mestrado”, afirmou. “Essa educação financeira parte da realidade, está na vida das pessoas. Muitas vezes a gente vê a educação financeira sendo apresentada de maneira desconexa da realidade e aqui a gente levou em conta a regionalidade”, expôs.
Diego Oliveira Montenegro recebeu o certificado pela melhor tese do PPG em Geografia, com a pesquisa intitulada “A Liturgia das Cidades”. “Esse momento tem um significado muito importante porque são quatro anos de dedicação a esse trabalho, então você ter esse reconhecimento da Universidade é muito gratificante. A gente trabalha os quatro anos pensando nisso mesmo. Não necessariamente na premiação, mas que a tese seja premiada no sentido de lida e vista como algo que contribui para a ciência”, conta, Diego Montenegro, que receberá também, pela mesma pesquisa, uma menção honrosa da Capes, em Recife, Pernambuco”.
A professora Camila Ferreira da Silva, do PPG em Educação da Faced, foi uma das pesquisadoras da Ufam aprovadas no edital do CNPq para Bolsa Produtividade, que reconhece lideranças nas diversas áreas do conhecimento. “É a primeira vez que eu me inscrevo e já fui selecionada. Estou muito feliz. Lá no PPGE foram contemplados dois docentes, o professor João Luís Barros e eu. E isso é muito importante sobretudo para a região Norte porque a gente tem também uma distribuição desigual dessa bolsa no Brasil, geralmente, o maior volume fica no Sudeste e Sul do país. Então, é uma luta histórica nossa de ter cada vez mais pesquisadores da região Norte, da Ufam, conseguindo essa bolsa. Porque ela oferece muito mais do que o valor e o prestígio, ela nos dá a possibilidade de ocupar lugar dentro do CNPq para discutir políticas para a universidade, política para a ciência e tecnologia, para discutir o futuro da ciência”.



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