Pesquisadores da UFAM avaliam propriedades do extrato de Bacuri para utilização em dermocosméticos

Os estudos desenvolvidos no Laboratório Q-BiomA, do Departamento de Química, buscam não apenas conhecer, como também valorizar a biodiversidade amazônica

Acadêmica Yasmin Cunha é a autora da pesquisa sobre propriedades de resíduos de bacuri para utilização em dermocosméticos Acadêmica Yasmin Cunha é a autora da pesquisa sobre propriedades de resíduos de bacuri para utilização em dermocosméticos

Na medicina popular, já são bem conhecidas as propriedades das sementes de Bacuri, com as quais se faz manteiga para tratar desde problemas de pele até picadas de aranhas e cobras. Agora, os pesquisadores da UFAM investem nos estudos das propriedades químicas e biológicas da casca do fruto.

A pesquisa “Extração de substâncias antioxidantes de resíduos de bacuri (Platonia insignis) para utilização em dermocosméticos” foi realizada pela acadêmica Yasmin Cunha da Silva durante o último período da sua graduação em Química. Orientada pelo professor Valdir da Veiga Júnior, ela desenvolveu o estudo que obteve o 4º lugar na premiação dos melhores projetos de desenvolvimento tecnológico e Inovação na Universidade.

Propriedades do bacuri

Bacuri – fruto grande, redondo e rico em substâncias bioativas sobre o qual crescem as pesquisas sobre suas propriedades farmacológicas. Crédito da foto: Klenicy Yamaguchi.Bacuri – fruto grande, redondo e rico em substâncias bioativas sobre o qual crescem as pesquisas sobre suas propriedades farmacológicas. Crédito da foto: Klenicy Yamaguchi.

Segundo os pesquisadores, o bacuri é um fruto amazônico pouco estudado e, nas pesquisas realizadas no Laboratório Q-BiomA da Universidade Federal do Amazonas, têm-se encontrado muitas propriedades interessantes. O trabalho é voltado a caracterizar química e biologicamente os resíduos das cascas do fruto de bacuri. “Quimicamente, as cascas do fruto têm uma composição rica em substâncias fenólicas e pectina. A pectina é usada na indústria de alimentos devido à capacidade de formar geis e, assim, usa-se no preparo de geleias, doces de frutas e produtos de confeitaria. Os compostos fenólicos têm se destacado nas indústrias de alimentos e farmacêuticas devido ao seu potencial antioxidante e essa capacidade antioxidante está associada à interrupção do processo de formação de radicais livres, geralmente associados a processos patológicos como câncer, envelhecimento precoce, doenças cardiovasculares, degenerativas e neurológicas. Na caracterização biológica, ações antimicrobianas e antioxidantes foram constatadas no fruto e nosso estudo leva à confirmação de uma composição rica em compostos fenólicos; com a presença de flavonoides e expressivo potencial fotoprotetor do resíduo de bacuri. O perfil fotoprotetor de todas as amostras analisadas demonstra que as maiores intensidades de absorção foram as correspondentes às radiações UVB e UVC, que são as radiações mais intensas. Esses resultados demonstram o potencial da utilização desses resíduos para produção de dermocosméticos”, detalha Yasmin Cunha, que atualmente cursa o mestrado em Química na Universidade Federal do Amazonas.

Conhecimento da biodiversidade

Ao centro, o orientador da pesquisa, professor Valdir Veiga Júnior, com as alunas Yasmin Cunha (E) e Karen Alves(D), no Laboratório Q-BiomA.Ao centro, o orientador da pesquisa, professor Valdir Veiga Júnior, com as alunas Yasmin Cunha (E) e Karen Alves(D), no Laboratório Q-BiomA.O orientador da pesquisa, professor Valdir Veiga Júnior, ressalta que os estudos desenvolvidos no Laboratório Q-BiomA, do Departamento de Química, buscam não apenas conhecer, como também valorizar a biodiversidade amazônica. “Essa valorização se dá pelo conhecimento das propriedades do material. Trabalhamos em desvendar quais são as moléculas que fazem parte desses nossos recursos. Inicialmente, consideramos um expressivo levantamento desenvolvido pelo doutor Carlos Victor Lamarão, da área de Engenharia de Alimentos da Universidade Federal do Amazonas e que envolve uma enorme variedade de frutas como  piquiá, açaí, tucumã e cupuaçu. A partir daí, realizamos um conjunto de atividades e, dos estudos preliminares, surgiram os temas mais promissores que estão sendo aperfeiçoados em projetos de mestrado e doutorado”, explica o professor.

Sustentabilidade

Mestranda Karen Alves dará continuidade às pesquisas sobre as propriedades do bacuri.Mestranda Karen Alves dará continuidade às pesquisas sobre as propriedades do bacuri.

Ele considera que a pesquisa sobre os resíduos de bacuri possui resultados relevantes que estimulam estudos para a aplicação do extrato e frações desses resíduos nas indústrias cosmética e farmacêutica. “É importante estudarmos esses frutos porque são recursos que têm muita sustentabilidade. Muitas vezes, quando pensamos em estudar uma planta na Amazônia, não há o volume suficiente para atender a demandas de mercado, mas quando falamos em frutos, sabemos que é possível conseguir uma produção muito maior e ter, a partir daí, diversos produtos originados dessa matéria-prima e, com isso, levar a população ribeirinha à sustentabilidade, além de desenvolver a bioindústria aqui na Amazônia".

A pesquisa sobre a extração de substâncias bioativas de resíduos de bacuri será continuada pela mestranda Karen Alves. “Pretendo identificar as substâncias responsáveis pelos resultados positivos nos testes de fotoproteção e também investigar mais a fundo a ação de substâncias presentes nesses extratos que foram bioativas em ensaios de atividade antimalárica”, destaca a pesquisadora.