Central Analítica faz a UFAM avançar em pesquisa colaborativa e inovação tecnológica

A CA possui oito equipamentos de médio e grande porte, totalizando um investimento de mais de R$ 3.350.000

 
A Central Analítica é uma divisão do Centro de Apoio Multidisciplinar (CAM) e foi criada em 1997. Entre os anos de 2006 e 2008, teve significativa ampliação da estrutura física. A aquisição de equipamentos destinados a análises químicas complexas possibilita investigações multidisciplinares em parceria com pesquisadores da UFAM e de outras instituições.

Os recursos provenientes dos editais CT-INFRA/PROINFRA da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) foram aliados à contrapartida institucional da UFAM. O prédio atual ficou pronto em 2013 e está localizado ao lado do bloco do Departamento de Química no Instituto de Ciências Exatas (ICE), setor Norte do campus universitário. A Central possui sete laboratórios multiusuários e recebeu o investimento inicial de R$ 1.708.468,74.

Os laboratórios são coordenados por oito professores doutores, cujas ações viabilizam o desenvolvimento de projetos de pesquisa com cerca de 40 alunos de pós-graduação ou iniciação científica. Discentes de doutorado e mestrado, devidamente treinados, auxiliam os pesquisadores que buscam os serviços.

A diretora da Central Analítica, professora Tereza Cristina de Oliveira, explica o processo. “Nosso trabalho é a gestão de atendimento multiusuário para diversas pesquisas. Alunos do PPG em Química têm atuado como monitores nos laboratórios. O atendimento ocorre por meio do fornecimento de materiais para custear as análises solicitadas”, pontua.

 

Colaboração em Pesquisa

Na avaliação da professora, o trabalho dessa equipe é um “complemento ou, mais que isso, é primordial para muitas pesquisas de outras vertentes que não a Química”. Biotecnologia, Farmácia, Engenharia de Materiais, Engenharia de Alimentos, Ciências Agrárias e Geologia estão entre os cursos que mais utilizam esses laboratórios.

“Já recebemos pesquisadores do Amapá e de Roraima, além de professores e alunos das unidades da UFAM do interior”, destaca a coordenadora. Há parcerias para uso dos equipamentos com o Instituto de Saúde e Biotecnologia (ISB) de Coari, o Instituto de Natureza e Cultura (INC) de Benjamin Constant e o Instituto Ciências Exatas e Tecnologia (ICET) de Itacoatiara.

Dentre os exemplos de colaboração, na Central Analítica há contribuições no tema qualidade da água através da investigação científica intitulada ‘O uso da água do rio para o consumo humano em comunidades ribeirinhas’, coordenada pela professora Tereza Cristina e publicada na revista Environmental Science and Pollution Research, em colaboração com a Companhia de Pesquisa e Recursos Minerais (CPRM).

Em relação às análises de metais pelo Espectrômetro de Absorção Atômica (Chama e Forno de Grafite), por exemplo, há uma demanda considerável de pesquisadores da Faculdade de Ciências Agrárias para análise de metais como Zinco, Cobre, Chumbo e Crômio em diferentes materiais. Amostras ambientais de água e solo ou de alimentos são os mais comuns.

A Central dá suporte à pesquisa de doutorado da aluna Francy Araújo, orientada pela professora Maria Cláudia Gross, do Departamento de Biologia. O estudo pretende revelar quais alterações cromossômicas ocorrem em peixes expostos a altas quantidades de poluentes, como os metais, em igarapés da zona urbana de Manaus.

O “Estudo de poluentes atmosféricos na cidade de Manaus e sua relação com a saúde como reflexo das mudanças climáticas na região Amazônica”, em execução, é outro exemplo do caráter inovador e multidisciplinar da temática regional. O trabalho é financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ).

O projeto é coordenado pela professora Cristine de Mello Dias Machado, do laboratório de métodos espectroscópicos (LAMESP-UV), e integra profissionais das áreas de Química, Meio Ambiente, Estatística e Medicina de diferentes instituições (UFAM, UEA, UFPR e USP). Será um instrumento para avaliar os efeitos das mudanças climáticas na região Amazônica em relação a poluentes atmosféricos em áreas habitadas e suas relações com a saúde da população.

Na Farmacologia, existe a necessidade de confirmar e caracterizar moléculas orgânicas presentes em plantas amazônicas para verificar suas atividades farmacológicas. Nessa área, é possível citar a contribuição de pesquisadores da Central Analítica Afonso Souza, Rita Nunomura, Marcos Machado, Maria Lúcia Pinheiro e Emmanoel Costa em colaborações firmadas com Faculdade de Ciências Farmacêuticas e Instituto de Ciências Biológicas (FCF e o ICB).

Segundo a diretora, há grande demanda em cosmetologia e estudos com óleos essenciais para produção de remédios e cosméticos. “Pesquisas colaborativas são comuns em se tratando de Central Analítica, pois os resultados são compartilhados”, ressalta a professora. Na área de Biotecnologia e Materiais, os pesquisadores da CA Antônia Souza e Paulo Couceiro realizam de análises microbiológicas e espectrométricas (FT-IV), respectivamente.

 

Investimentos

Atualmente, a CA possui o total de oito equipamentos de médio e grande porte (anexo), totalizando um investimento de mais de R$ 3.350.000. Essa variedade de possibilita aos pesquisadores escolher qual técnica pode ser empregada para a obtenção dos melhores resultados.

Ainda em 2015, a UFAM receberá o Espectrômetro de Ressonância Magnética Nuclear (RMN), a principal técnica empregada na determinação estrutural de substâncias orgânicas. Esse equipamento, no valor de €480.000 (euros), será abrigado no Laboratório de RMN (NMRLAB), preparado especialmente para ele. Após a instalação, prevista para janeiro de 2016, será possível realizar diversas aplicações, dentre as quais a determinação estrutural de moléculas orgânicas da Amazônia, ou mesmo sintéticas. O investimento no Laboratório de RMN ultrapassa dois milhões de reais.

As moléculas identificadas no aparelho podem mostrar, por exemplo, princípios ativos de fármacos, cosméticos ou nutracêuticos (os nutrientes de alimentos), usados para controle de qualidade em diversos produtos. Um dos sistemas mais avançados é o de cromatografia gasosa com detecção por espectrometria de massas, que permite investigar a composição química em óleos essenciais de plantas, derivados de petróleo e amostras ambientais. Aplicações com outros equipamentos ajudam a investigar matrizes orgânicas complexas, como alimentos, medicamentos, resíduos industriais e domésticos.

O desafio, agora, é avançar no atendimento ao público externo, com o oferecimento contínuo de serviços para pesquisadores de outras universidades ou órgãos governamentais em parcerias interinstitucionais. A Central Analítica disponibiliza a ficha de solicitação de análises ou procedimentos (anexo), para agendamento e realização da técnica solicitada, assim como, para avaliar a necessidade de demandas de consumíveis e/ou custos envolvidos.

Alcance Internacional

Em 2015, um estudo local foi publicado numa das revistas de maior prestígio na área de Química de Alimentos (Food Research International). A autora é a doutoranda em Química Andrezza da Silva Ramos, orientada pelo professor Marcos Machado (Coordenador do NMRLAB), e a pesquisa é “Caracterização química e capacidade antioxidante do Araçá-pera (Psidium acutangulum): uma exótica fruta amazônica”.

O trabalho descreve a composição química e o potencial antioxidante desse fruto coletado no campus da UFAM, e os resultados mostram teor de vitamina C superior ao da goiaba comum (Psidium guajava). Esse estudo empregou os sistemas de cromatografia da Central Analítica e teve colaboração de pesquisadores da FCF-UFAM (professores Emerson Lima e Ana Paula Boleti) e da FCF-UFPR (professora Francinete Campos).

O aluno de doutorado Richardson Almeida (PPGQ), orientado pelo professor Afonso Duarte de Souza, que coordena o Laboratório de Espectrometria de massas e HPLC (LAMAH) da Central, desenvolveu um trabalho que foi capa da revista internacional “Jounal of the Brazilian Chemical Society”.

O resultado confirmou a presença de substâncias antimicrobianas com ação antibiótica em secreção da pele de anuros (espécies de sapos) endêmicos da Amazônia e coletados na floresta do campus universitário. O estudo foi realizado em colaboração com pesquisadores de outros departamentos, como o professor Marcelo Gordo, do ICB, e com o pesquisador Carlos Bloch Júnior, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).