Ufam realiza I Congresso de Pesquisadores Negros da Região Norte

Atividades do Copenorte, promovidas pelo PPGSCA, seguem até esta quinta-feira, 7, e incluem mesas de debate, salas temáticas e apresentação de pôsteres

 

Organizadora do evento, professora Renilda Aparecida Costa, fala aos pesquisadores, oriundos de vários estados da região NorteOrganizadora do evento, professora Renilda Aparecida Costa, fala aos pesquisadores, oriundos de vários estados da região Norte

Por Cristiane Souza
Equipe Ascom 

 

A Universidade Federal do Amazonas promove o Congresso de Pesquisadores Negros (Copenorte), realizado pela primeira vez na região Norte, por iniciativa do Programa de Pós-Graduação em Sociedade e Cultura na Amazônica (PPGSCA). A abertura ocorreu na noite de terça-feira, 5, e as atividades seguem até quinta, 7, com a participação de docentes, pesquisadores e estudantes.

Com o tema ‘Negros na Região Norte: História, memória e identidade étnico-racial’, a professora Zélia Amador de Deus foi a responsável pela conferência de abertura do Copenorte. Ainda na noite de terça, 5, houve apresentações culturais relativas ao tema do evento.

O pró-reitor de Ensino de Graduação, professor David Lopes, representou a Reitoria na abertura, quando destacou a relevância de a Ufam assumir a responsabilidade de trazer o evento para o Norte pela primeira vez.

O diretor de Extensão, professor Almir Menezes, acredita que promover o congresso é um avanço para a Ufam e para a sociedade amazonense, fortalecendo a pesquisa e a extensão, por consequência. “Vamos avançar no intuito de estabelecer a justiça, e essa justiça pressupõe necessariamente a igualdade material. E eu acredito ser fundamental, e a Universidade não possa deixar de lembrar aos senhores, que só é possível fazer extensão se temos pesquisa de qualidade. Pesquisa que tem, afinal de contas, a capacidade de se expandir e de ser socialmente referenciada”, destacou o docente.

Abertura do evento contou com apresentação musical e dança africanaAbertura do evento contou com apresentação musical e dança africana

Presença Negra - Na avaliação da representante do Fórum Permanente de Afrodescendentes do Amazonas, Arlete Anchieta, não se pode discutir ‘negros’ sem ‘brancos’, especialmente no contexto amazônico, no qual, muitas vezes, a presença negra é tornada invisível. “Nós, os negros amazônicos, existimos; e cada vez mais nos tornamos presentes na sociedade. Com nosso movimento dentro da Universidade nos fortalecemos juntos”, observou Anchieta.

“Hoje fazemos da nossa terra um espaço melhor para que cada pessoa, negros e brancos, vivam melhor. Aqui, queremos descobrir caminhos que passam pela universidade, passam pelos bairros, passam por todos os nossos espaços. Esses caminhos nos mostraram que uma sociedade bem melhor é possível”, completou ela, em tom esperançoso.

A ilusão de que o negro não existe na região Norte, ou de que ele não é uma presença marcante, também foi uma preocupação compartilhada pelo coordenador da Regional Norte da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros, professor João Batista de Jesus Félix. “De fato, a região Norte é um mistério, porque muito se pensa em preservar a mata, sequer se pensa nos povos”, disse.

Atrações culturais empolgaram público que dançou e cantou ao som de músicas africanasAtrações culturais empolgaram público que dançou e cantou ao som de músicas africanas

Para o professor, infelizmente, a sociedade brasileira “está vivendo um momento em que o racismo está cada vez mais ousado no Brasil, e isso está na mídia com muita frequência, inclusive envolvendo pessoas públicas”. A estratégia de superação apontada pelo professor Félix é a de se organizar cada vez mais, o que permitirá aos negros assumir o protagonismo no Norte do País. Um passo importante, segundo ele, foi trazer o Cope para o Amazonas.

“A produção acadêmica é subjetiva e as nossas presenças serão comprometidas em combater o reducionismo patológico que insiste em nos tornar invisíveis, ainda. Realizar a primeira edição deste congresso na região Norte é uma demonstração de resistência”, ratificou a presidente da Associação de Investigadores Negros, professora Rita Canavarro.

Conforme destacou ela, o conhecimento científico é de qualidade e precisa ser valorizado. “É importante reivindicarmos a democratização na produção do conhecimento, abrindo espaço para essa pauta”, finalizou, com um apelo à comunidade científica negra do Norte.