Políticas Públicas e Artes Visuais na Amazônia: um debate necessário

Projeto ‘Escalas Amazônicas’ propõe avaliação de políticas públicas de fomento às artes visuais nos últimos dez anos. Manaus é a última parada

“Já passamos por Belém e por Rio Branco. Agora voltamos para debater o mapeamento das políticas públicas em Manaus e no Amazonas nos últimos dez anos. É preciso somar com atores sociais e artistas, compreender que o diálogo é necessário e criar um corpo reflexivo e atuante”, argumentou o proponente do ‘Escalas Amazônicas’, antropólogo Ricardo Agum, que encerra o ciclo de seminários na capital amazonense.

Ao receber a atividade na última sexta-feira, 16, o Centro de Artes da Ufam (Caua) busca ser cada vez mais um local de referência na promoção do diálogo entre os artistas, os produtores de arte e a sociedade amazonense. “Nós servimos a comunidade. Esse é apenas um dos projetos que utiliza o teatro do Caua para estabelecer essa comunicação de propostas no setor artístico”, afirmou o diretor do órgão suplementar, professor Paulo Simonetti.

Este ano, o Centro de Artes recebeu dois artistas nacionais, um de São Paulo e outro de Brasília, para execução de projetos fomentados pela Fundação Nacional de Artes (Funarte). O professor avalia que esses eventos incentivam os artistas locais a inscreverem seus projetos, participarem dos editais e entrarem no circuito regional e nacional de artes, participando da vida cultural do país. “Sabemos que não é tarefa fácil, por causa das dificuldades na elaboração de projetos e da concorrência com os principais centros culturais, mas nós temos possibilidades de crescer muito nesse setor”, disse ele.

Frank Wyllys, 22, é finalista de Filosofia da Ufam e membro do Centro Popular do Audiovisual (CPA), projeto financiado pelo edital Formação em Comunidades do Banco do Brasil (BB). “Nós estudamos e criamos projetos de audiovisual, não somente filmes, mas todo tipo de material. Este mês estamos fazendo curtas, e todos fazem desde roteiro, direção, fotografia e produção até atuação”, explicou. “Quero criar materiais sobre Filosofia que possam ser usados nas aulas, porque estou concluindo a Licenciatura e percebi a escassez de audiovisual sobre temas dessa disciplina”, esclareceu Wyllys.

Políticas Públicas

Docente da graduação e do mestrado em Ciências Políticas da Universidade Federal do Piauí (UFPI), a professora Monique Menezes lecionou: “As políticas públicas tiveram origem nas ciências políticas na década de 1950, nos Estados Unidos. Esse conceito de ‘governo em ação’, mais tarde, foi apropriado por outros países”. Segundo ela, os governos são responsáveis pela elaboração de políticas públicas, mas devem considerar o papel da sociedade civil.

A ministrante completou: “Há um ciclo necessário à efetivação de políticas públicas. Ele inicia com a aparição de um problema na sociedade; a criação de agenda e de alternativas; a decisão sobre as políticas públicas; a implementação; a avaliação e a possibilidade de continuidade ou extinção”. Na etapa de avaliação, ela frisa que os governos devem ouvir os receptores dessas políticas. “Não dá para a avaliação ser ‘encapsulada’, pois não terá imparcialidade alguma”, disparou.

Já o conselheiro municipal de cultura de Audiovisual (Manaus) e realizador audiovisual Paulo Cezar Freire concentrou a fala na questão local. Para ele, a ausência de uma Lei Municipal de Incentivo à Cultura é um tema importante nesse debate, porque Manaus é a única capital que ainda não tem essa legislação.

“Nós estamos falando de formação. Quando o Estado está ausente, quem se apropria dos bairros é a marginalidade, razão pela qual é preciso fomentar a produção cultural para que os artistas ocupem os espaços da cidade com cultura e arte”, disse ele. “Um dos maiores impedimentos é que nós estamos falando de um ‘impacto' de 2% no orçamento do município, e isso seria da ordem de 13 milhões de reais”, completou Freire.

Fomento

A atividade faz parte da 13ª edição do ‘Programa Rede Nacional Funarte de Artes Visuais’. O projeto Escalas Amazônicas passou pelas capitais Belém-PA, Rio Branco-AC e Manaus com debates sobre os investimentos governamentais em artes visuais na última década.

Concluídas as atividades presenciais, os conteúdos elaborados em parceria com os públicos dos seminários nas três capitais serão organizados em livro impresso e virtual com distribuição gratuita.