Pesquisadores descobrem potencial fotoprotetor na casca da Cupiúba

Em ensaios preliminares, observou-se a utilidade em formulações cosméticas como fotoprotetores, além de usos funcionais como antioxidantes e antimicrobianos

 

(Foto: Tarciso Leão)(Foto: Tarciso Leão)

Popularmente utilizada como anestésico para dor de dente, no tratamento de malária e catapora, a casca da cupiúba demonstra ser ainda mais versátil segundo o pesquisador do Departamento de Química da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), professor Valdir Florêncio da Veiga Júnior, coordenador do Q-BiomA, Grupo de Pesquisas da UFAM que estuda a Química de Biomoléculas da Amazônia. 

A descoberta foi realizada por meio de uma pesquisa desenvolvida pela aluna do curso de Engenharia Química, Larissa Silva, orientada pela professora Larissa Wiedemann, que também é pesquisadora do Q-BiomA. O objetivo da pesquisa era avaliar o potencial fotoprotetor e antioxidante de extratos e constituintes da casca da Cupiúba (Goubia glabra). Além disso, o estudo teve por objetivos otimizar os métodos de extração de substâncias fenólicas de extratos das cascas da Cupiúba para uso em dermocosméticos.

A Cupiúba é um planta facilmente encontrada na Amazônia Central, com propriedades medicinais. Em estudos anteriores, havia sido constatado que a casca da árvore é utilizada como analgésico dentário (LACOSTE & ALEXANDRE, 1991; RIBEIRO, 1999; SILVA, 2006), como vermífugo e no tratamento de malária, catapora, eczema (DEFILIPPS et al., 2004).

Nos estudos realizados no Q-BiomA, durante uma dissertação de mestrado, foi observada grande quantidade de substâncias fenólicas nos extratos obtidos. Em ensaios preliminares, observou-se que os fenólicos absorvem a luz ultravioleta em comprimentos de onda bastante específicos e, portanto, podem ser utilizados em formulações cosméticas como fotoprotetores, além de possuírem usos funcionais como antioxidantes e antimicrobianos.

Aluna Larissa Silva estudou propriedades da cupiúbaAluna Larissa Silva estudou propriedades da cupiúba

A pesquisa obteve o terceiro lugar – área de ciências exatas – na premiação dos melhores projetos do programa de iniciação tecnológica (Paiti) e do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (PIBITI), na Universidade Federal do Amazonas (UFAM). A solenidade foi realizada durante o encerramento do 2º Seminário Internacional de Tecnologia e Sustentabilidade (SINTES), no dia 11 de maio.

Segundo a estudante, Larissa Sousa, há poucos estudos sobre a composição química da planta. "Quase não há relatos na literatura. O que se conhece é sobre a taxonomia e reflorestamento", explica. Segundo ela, nos laboratórios da Instituição teve acesso a todos os recursos necessários para realizar os experimentos que levaram ao resultado da pesquisa. "Pudemos ver que uma planta pouco estudada pode também ser utilizada para criação de algum produto fármaco, dermocosmético ou filtro solar, por exemplo", afirma.

Larissa conta que as propriedades da planta são bastante conhecidas pela medicina popular, por isso houve a necessidade de ir mais a fundo com as pesquisas. "A partir disso, queríamos comprovar se na casca havia esse potencial", destaca. Além disso, foi verificada que a casca da Cupiúba é rica em antioxidantes.  "Ela possui a capacidade redutora de radicais livres no corpo, que levam ao processo de envelhecimento. Se este extrato consegue absorver esses radicais livres, maior é seu potencial antioxidante".

O professor Valdir da Veiga Júnior, co-orientador da pesquisa, ressalta que estes são os primeiros estudos, tanto da parte química quanto biológica desta planta. "Alguns desses extratos são extremamente potentes na absorção da radiação nessa região do espectro de ultravioleta", relata. O extrato poderia ser utilizado como protetor solar natural, já que os produtos disponíveis no mercado são substâncias sintéticas, originados no petróleo. "Se chegarmos à conclusão de que o extrato tem potencial para virar um produto, ele poderá chegar ao mercado".