Indígenas da etnia Yepamahsã defendem dissertação em Antropologia em São Gabriel da Cachoeira

Pela primeira vez na história do ensino superior no Brasil, dissertações de mestrado são escritas e defendidas em língua indígena: Yepamahsã. Os trabalhos também foram escritos em português, caracterizando as obras acadêmicas como bilíngues.

Fotos: Alberto César Araújo/Amazônia RealFotos: Alberto César Araújo/Amazônia RealAs defesas de Dagoberto Lima Azevedo Suegʉ e Gabriel Sodré Maia Akʉto, ambos da etnia Yepamahsã (Tukano) do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS) da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) serão realizadas no dia 9 de dezembro, às 13h e às 16h, respectivamente, na Maloca da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), localizada na A. Álvaro Maia, 79, Centro na cidade de São Gabriel da Cachoeira, Alto Rio Negro.

As duas bancas terão a arguição do professor Oscar Calavia Sáez, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), antropólogo especialista nas trajetórias dos intelectuais indígenas na historia dos países americanos.

Dagoberto Azevedo, cuja pesquisa investigou a organização do espaço Di´ta/Nʉhkʉ (terra-floresta) a partir da categoria bahsese, foi orientado pelo professor Carlos Machado Dias Jr., enquanto Gabriel Maia mostrou relações entre as cerimônias rituais e o calendário astronômico Yepamahsã, sob a orientação do professor Gilton Mendes dos Santos.Dagoberto Lima Azevedo Suegʉ (Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real)Dagoberto Lima Azevedo Suegʉ (Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real)

Pioneirismo
Outro marco do pioneirismo do evento encontra-se no lugar escolhido para as bancas, pois é a primeira vez que o
 município de São Gabriel da Cachoeira, a 852 quilômetros de Manaus, sedia defesas de mestrado do PPGAS-UFAM.  O evento possibilita uma aproximação entre o resultado das pesquisas acadêmicas e as lideranças políticas indígenas, estudantes, professores e profissionais indígenas e indigenistas que atuam no Alto Rio Negro.

Mesa-redonda
Na manhã do dia 9 de dezembro ocorrerá também uma mesa-redonda com o tema “A Pós-Graduação e a Antropologia Indígena no Rio Negro” com o objetivo de debater sobre a contribuição indígena no processo de produção de conhecimento antropológico.
A mesa será composta pelos professores orientadores Gilton Mendes dos Santos e Carlos Dias Jr. (PPGAS/UFAM), professor Oscar Calavia Saez (UFSC), e representantes de instituições locais.   

Gabriel Sodré Maia Akʉto (Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real)Gabriel Sodré Maia Akʉto (Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real)NEAI

A organização dos eventos é feita pelo Núcleo de Estudos da Amazônia Indígena (NEAI), do PPGAS da UFAM, que conta com uma rede acadêmica de interlocução, formada por pesquisadores de diversas universidades do Brasil, dos quais se destacam a presença de pesquisadores indígenas. 

O NEAI se dedica à construção de uma linha de pesquisa em antropologia simétrica (cruzada e reversa) que advoga por uma abordagem do conhecimento indígena na construção do fazer antropológico. Na UFAM, o NEAI está localizado na sala 12 da Faculdade de Direito, setor norte do Campus.

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Site: www.neai.ufam.edu.br